– Em sintonia com os limites da cidade –

Novo relato sobre a confusão no Aglomerado Serra, em BH

Pessoal,

Este é o relato do Tomás Amaral, cineclubista da Filmes de Quintal e morador do Aglomerado Serra. Ele descreve o que ocorreu no último fim de semana naquela favela.

Pedimos a todos que leiam, distribuam e divulguem em suas listas, contatos, blogs etc. É importantíssimo!

Abraços,
Equipe do Conexão Periférica

 

Caros amigos, me desculpem por tomar vosso tempo, mas se for de vosso interesse peço que leiam para se informar:

A trágica morte de dois incentes no Aglomerado da Serra era a gota d’água que faltava para a comunidade expôr sua revolta contra as ações truculentas e inconstitucionais da Polícia Militar no algomerado.

Há tempos que um grupo de não mais que dez policiais vem exterminando moradores do aglomerado aos olhos de toda a comunidade. A ROTAM reúne policias que ostentam o status de assassinos dentro da corporação, seguindo o mesmos códigos na lei – e aqueles debaixo dela – que a instituição tinha na época da ditadura.

Hoje, porém, policiais civis e militares em Belo Horizonte estão deixando de ser coadjuvantes no crime para serem protagonistas. Não querem mais receber acertos, querem ser os donos das bocas. Provavelmente querem controlar todo o tráfico de suas juridições em um sistema unificado e hierarquizado dentro da própria polícia, e estão perto disso. O sociólogo e ex-Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Luís Eduardo Soares, apresentou exatamente essa análise no conflito ocorrido no Complexo do Alemão no Rio. As milícias no Rio representam justamente essa nova ordem do tráfico em que parte da polícia está engajada para implementar.

Os policiais da ROTAM sobem as favelas de Belo Horizonte para receber propinas, extorquir os jovens que fazem parte da mão de obra do tráfico e matar. Eles andam, cada um com duas pistolas, uma com chassi e a outra com o chassi raspado. Matam com uma e platam a outra na vítima. Predem jovens envolvidos com tráfico, e quando não conseguem extorquí-los, não os encaminham para a delegacia, simplesmente os exterminam.

Mas dessa vez, a prepotência de policiais que tiram, há anos, proveito do tráfico na serra, caiu do cavalo: pois as vítimas não tinham qualquer envolvimento com o tráfico e a comunidade está expondo o fim de sua tolerância com esses elementos.

Os protestos continuam e hoje ou amanhã haverá uma assembléia da comunidade com a Comissão dos Direitos Humanos.

A mídia fica em cima do muro ou reproduz sem contestação a versão mentirosa dos fatos apresentada pela polícia militar: a de que os dois trabalhadores estavam com roupas do GATE, armas e munições e atiraram nos políciais. A Rede Globo, especialmente, apresentou a matéria mais distorcida sobre o fato, que chegou a chocar a comunidade inteira pela ausência de um pingo de veracidade.

Conclamo todos interessados no combate à corrupção dentro de nossas instituições a enviar um e-mail para o site da Polícia Militar MG, no canal “fale conosco”, solicitando apuração desses assassinatos no Aglomerado da Serra. O momento é oportuno pois a Polícia Federal acabou de investigar e condenar os abusos das operações policiais no Complexo do Alemão. E em ambos episódios, tanto no Rio quanto em Belo Horizonte, temos abusos de policiais que representam a mesma estratégia de controle do tráfico de drogas. Portanto os protestos relacionados a esse caso específico podem servir a uma conjuntura maior. Temos que freiar a truculência de policiais corruptos e mostrar que a sociedade civil exige constitucionalidade nas ações da polícia.

Abaixo o e-mail que enviei para a PMMG, abraços!

“Solicito, enquanto cidadão belorizontino, às instâncias máximas da Polícia Militar de Minas Gerais, apuração rigorosa e medidas cabíveis no caso dos políciais da ROTAM que mataram dois inocentes no Aglomerado da Serra, apresentando uma versão mentirosa, facilmente desmentida por inúmeras testemunhas, e plantando provas falsas como: armas, munição e roupas do GATE em dois trabalhadores inocentes.

A corporação não pode corroborar esse tipo de mentira para inocentar alguns poucos poiciais envolvidos com o tráfico de drogas, extorsão de dinheiro, abuso de autoridade e extermínio.

Me questiono se haverá vontade da Polícia Militar mineira para combater esse tipo de corrupção dentro da instituição. Acretido que os trabalhadores honestos de dentro da corporação têm a obrigação de dar essa resposta à população e querer limpar o nome da instituição.”

Tomás Amaral
Filmes de Quintal
www.filmesdequintal.com.br

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Uma resposta

  1. larissa

    nao gostei

    08/09/2011 às 19:29

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